Sr. Clandestino apresenta o personagem homônimo, um cientista brilhante e genioso que viaja entre as dimensões e, ao parar na nossa realidade, busca respostas. Misturando filosofia existencialista e teoria física, o personagem questiona sobre nós e nossa construção de realidade, expondo, através de uma fala divertidamente ácida e sem pudores, os erros, as desigualdades e os crimes sociais de nossa contemporaneidade.

O trabalho foi realizado a partir de uma intensa pesquisa por parte da Companhia KHAOS Cênica, que cunhou seu discurso ponderando sobre as mais recentes convulsões sociais mediadas pela perspectiva dos cânones do existencialismo em suas diferentes correntes. Esta proposição visa criar um exercício cênico de empatia recíproca entre personagem e público, fator este determinante para o final do espetáculo, visto que, as diferentes reações coletivas da plateia são observadas e definem o desfecho da peça.

Para traduzir esta cosmogonia em cena, a companhia adotou a estética steampunk, onde todos elementos se configuram a partir dessa plasticidade, inclusive o veículo de transporte interdimensional do cientista, um kart cross ou bug, reconstruído como cenografia que traz o personagem em cena, ao mesmo tempo é a cenografia onde a cena opera.

Assim como a perspectiva do filósofo Jacques Rancière, o espetáculo Sr. Clandestino busca ser um guardião da arte como elemento da "partilha do sensível", pois é através do encontro discordante das idiossincrasias individuais que a formação da comunidade política se estabelece.

Este espetáculo ousa ser este espaço de encontro e de partilha, onde a formação democrática ocorre, de forma estética, provocada pela cena.

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